quinta-feira, 10 de março de 2011

Vagando

Havia apenas uma escuridão total. Perfeito para uma boa noite de sono. Mas não foi bem assim que aconteceu. Adormeci... Acordei um pouco tonto, e havia uma imagem bem estranha na minha frente. Estava com uma túnica, a qual tinha um capuz, mas o mesmo não estava colocado. Assim eu podia enxergar perfeitamente aqueles olhos lilás. Era só uma garotinha que parecia ter no máximo quinze anos, e quem sabe, até menos que isso. Ela carregava uma foice consigo, mesmo sendo linda, era uma imagem assustadora.
Tinha uma expressão triste nos olhos, porém a expressão facial e corporal era firme. Agora estava sentado na cama, e ela veio até mim, e quando menos esperava, jogou-se em cima de mim. Meu corpo junto com o dela estava sendo levado às profundezas. Estávamos chegando à camada de magma. “Pára, pára, chega! Me leva pra cima, me leva pra cima!” gritei desesperado. Sentindo um puxão no abdômen fui indo para cima. Fui indo mais e mais. Até que passei do meu quarto “droga! O que você está fazendo? Já chega! Me leva de volta!”. Mas dessa vez ela ñ obedeceu. Levou-me à além da atmosfera, mas ainda assim conseguia respirar. Entramos no espaço sideral, e continuamos acelerando e acelerando, já não podia ver mais nada de tão rápido que estava, dizia para ela parar, mas sem não surtia nem um efeito.
E então fomos parando. Estava em outro planeta, estava escuro naquele planeta. As águas eram vermelhas, e suas plantas também. O que exatamente era isso? Uma mera distorção da realidade?
Não nos demoramos muito ali. Logo ela pôs o capuz e me pegou outra vez pelo tronco. Aceleramos outra vez. Quando chegamos tive vontade de vomitar, mas me contive. Ela fez um gesto para que eu olhasse, e dessa vez estava em um planeta mais habitado do que o ultimo. Nesse estava de dia. O sol era lindo. E neste planeta também havia camada de ozônio, pois o céu também ficava azul. Parecia um mundo medieval, tudo era bem natural. Mas percebi que os habitantes daquele planeta tinham diferenças dos humanos terráqueos. As moças eram bem delicadas, porém os homens eram bem mais rústicos, mas pelo que via, eles tratavam muito bem as moças. Mesmo estes homens tendo uma expressão bruta, eles pareciam ser bem educados, assim como as damas.
Ela me puxou outra vez. Mas espere! Estamos voltando para terra? Parece que sim, mas não fomos para meu quarto. Estávamos em uma ponte. Uma carro estava encostado, e um homem subia no corrimão da ponte, hesitava um pouco, mas enfim se jogava no rio. Olhei para a garota dos olhos lilás. Ela fez uma expressão de desaprovação e balançou a cabeça como se estivesse desaprovando tal ato.
Ela me puxou pelo braço dessa vez. A mão dela era a mais macia que eu já havia tocado. Estávamos a caminho de minha casa. Entramos em meu quarto outra vez. Parecíamos dois espíritos. Ela me jogou com violência na cama. E mesmo com aquele capuz colocado, o qual naquele momento só escondia a parte dos olhos, dava pra ver que ela estava sorrindo. Acho que na concepção dela, me arremessar daquele jeito na cama foi só uma brincadeira, mesmo que eu não tenha gostado nem um pouco. Ela ficou séria outra vez, tirou o capuz e me fez um gesto. Ela passou o indicador na garanta, depois balançou o indicador dizendo não. O que ela quis dizer? É como se ela tivesse dizendo “não morra”.
Acordei ofegante. Estava no chão do meu quarto. Nunca tinha me mexido tanto com um sonho. Dei uma risadinha lembrando- me do sonho estranho. Deitei-me outra vez, mas não estava conseguindo dormir. Estava pensando na tal garota. É a primeira vez que sonho com uma garota que não existe. E ela era tão... Tão linda.

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