quinta-feira, 10 de março de 2011

Sem voz

Parece que eles nunca acabam, estou ficando louca? Por que têm que ser tão reais? Quanto tempo vai durar?
Não eram mais que duas da manhã, terminava de escrever um poema no computador e postar num blog. Exausta, desliguei meu computador e fui ao banheiro escovar os dentes. Sonolenta, fechei a janela do meu quarto, nunca gostei de dormir com a janela aberta, mesmo que esteja calor.
Não percebi quando adormeci. Mas percebi minha visão ficar mais turva. Eu sei que ninguém percebe quando adormece, mas algumas pessoas sabem no mínimo quando começam a sonhar, eu sou uma delas. Mas dessa vez foi diferente.
O quarto já estava escuro, mas se tornou mais escuro ainda. Não via muita coisa além da porta do mesmo. Algo se arrastava na parede do corredor lá fora. Um medo horrível tomou meu corpo, comecei a chamar minha irmã, tentava dizer “Lucia! É você? Lucia! Pode entrar se quiser, mas para com essa frescura”. A única coisa que saía era o nome dela, as outras palavras sequer faziam minhas cordas vocais vibrarem. Tentei gritar mas era em vão, nada saía além de Lucia.
Ouvi uma risada, não era a voz de minha irmã. “Quem está aí?” perguntei sem som, uma voz musical e sombria me respondeu “Por que está tão tensa, sou apenas eu. Só quero ser sua amiguinha. Vamos brincar juntas?”. Fiquei chamando pela minha irmã, e dessa vez nem o nome dela conseguia pronunciar.
— Lidia? Por que não me responde? Você não quer brincar comigo? — definitivamente não era a voz da minha irmã. Comecei a ter medo.
“Mas espere”, pensei, “ela pode está modificando a voz para me assustar”. Só podia ser isso, que idiota! Ela sabe que não acredito em nada sobrenatural. Nem mesmo creio em deuses. Então por que diabos ela faria isso.
A porta se abriu, mas não podia ver nada. Quando entrei no quarto a luz do corredor estava ligada, mas quando aquela penumbra entrou a mesma estava desligada. Minha irmã morre de medo de lugares muito escuros, tanto que ela dorme com um abajur aceso. Impossível ela ter desligado a luz do corredor para me assusta. Exceto, é claro, se ela estivesse sonâmbula.
— Ah, que pena. você está dormindo. Tudo bem, logo estaremos mais próximas do que somos agora. Mesmo Assis, ainda quero poder olhar pra você. Mesmo que isso não seja real. Mas foi o melhor que pude fazer — comecei a ficar com medo, nada mais saia da minha boca, nem mesmo um sussurro. E tinha certeza que não era minha irmã.
Ela se sentou em uma cadeira que estava do lado da cama em seguida e ficou lá sentada, me olhando sem que eu pudesse ver seu rosto.
Acordei-me espantada, ainda era noite, pensei por algum tempo. O sonho tinha sido muito real. Mas ri quando percebi os erros. Primeiro, a luz do corredor ainda estava ligada; a porta estava entreaberta, pois minha havia entrado no quarto e estava dormindo agarrada com o meu braço; o outro é que não tinha uma cadeira do lado da cama. Ela ficava em frente ao rack do computador. E por ultimo, estava totalmente embrulhada, e no sonha não tinha lençol algum.
— O que você tem? Por que está rindo? — disse Lucia acordando com minha risada.
— Nada não. Tive um sonho bobo. Por você está aqui?
— É que faltou energia e meu abajur apagou, fiquei com medo então vim dormir aqui. Me desculpe, eu sei que a cama é pequena e ...
— Não, não. Tudo bem.
Não sei o que foi exatamente, mas meu coração doeu. Sem perceber, abracei forte minha irmã.
— Tem certeza que ta tudo bem? — perguntou ela
— Sim.
— Então durma e pare de ficar me apertando!

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