quinta-feira, 10 de março de 2011

O dia em que morri.

Eram seis e meia, tinha que ir ao colégio, mas não estava nem um pouco afim. Tudo por causa daquele sonho horrível. Mas apesar dele ter sido um sonho ruim, teve seu lado bom. Aquela amável figura tão... Tão. Não, palavras não eram suficientes para descrever-la. Droga! O que estou pensando? Ela nem existe e eu já estou todo besta. Não posso ser assim, além do mais já tenho uma garota em mente. Queria poder esta com ela o tempo inteiro, até mesmo depois de morrer. Por quê? Por que nunca olhas para mim?
Bom, eu definitivamente vou ter que ir hoje, é sexta-feira, seria inutilidade minha faltar o ultimo dia. Então apenas me levantei da cama, tomei banho, tive um bom café da manhã. E fui até meu destino. Lá não aconteceu nada de interessante, exceto, é claro, as aulas. Mas Lidia, a garota dos cabelos castanhos e olhos cinzentos, nem mesmo me disse um bom dia. Acho que ela realmente não me via, não notava minha presença, me sentia tão desprezível que sentia vontade de morrer. Não, o que estou dizendo? Por que alguém teria esse tipo de sentimento. Além disso, eu era muito novo para isso! Não, eu definitivamente não queria morrer.
Mas, como nem tudo é como nós desejamos, eu simplesmente não tive sorte. Naquele dia havia decidido! Falarei à Lidia meus sentimentos, e dessa vez sem hesitar.
Saí do colégio e lá estava ela na calçada, era de mais para mim, minhas pernas tremiam. Ei espere! Ela está atravessando a rua agora. Droga! Tem um carro vindo na direção dela, eu tenho que salvá-la. Fui até lá e a ultima coisa que consegui pensar foi “por que aqui? Por que hoje? Por que agora?”. Nada mais veio em minha mente, nada! Apaguei na hora.
Cheguei a acordar de novo, mas só o que me lembro é de uma ambulância e de um grupo de médicos. Acho que foi só isso que vi na verdade, minha visão estava turva demais e não conseguia ficar consciente por mais que alguns segundos. Pelo menos é isso que eu acho. Não, ainda lembro-me de mais alguma coisa, alguém me olhando nessas duas cenas que me lembro. Ele estava lá o tempo todo de preto, com uma foice na mão. Não conseguia ver o rosto, mas não queria, tinha medo do que poderia ser. Mas ele esperava algo. Ou será que esperava “alguém”?

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