terça-feira, 7 de julho de 2015

Simples Dedução.

Aquele quarto era escuro, os vidros isolavam o som. Sim, com certeza um ótimo lugar para se cometer um crime. Tentei primeiramente me prender ao corpo. Aquilo era uma coisa totalmente horrível, as pernas estavam quebradas. O rosto estava completamente amassado, assim como o resto do abdômen. O sangue estava por todo chão. Não há duvida de que o assassino fez um trabalho rápido. Mas quem seria capaz de tamanha brutalidade?! Matar assim tão brutalmente e rápido.
Não havia mais nada para se vê no corpo, agora só o cenário diria o que restava ser decifrado. No fundo daquele quarto, uma pequena mesa de tabula redonda ficava próximo à janela, todas as cadeiras estavam em seu lugar, exceto uma. Ela estava virada para o corpo. Hm, muito interessante. Alguém estava em cima da cadeira momentos antes... Talvez pra consertar uma lâmpada, não vejo outro motivo! Espere. Por que há uma vassoura ao lado do cadáver? — uma maneira de se defender? Ou quem sabe uma maneira de matar?... Talvez, mas ambos são igualmente prováveis, então ainda não posso chegar a uma conclusão. Um pouco mais longe do corpo, perto da porta de entrada, havia uma banda de sandália, o que me diz que o criminoso tentou correr, mas tropeçou, levando, assim, apenas um lado da sandália.
—... Então foi isso— disse uma garota ao meu lado.
Não ouvi quase nada do que ela disse. Mas não interessa, com certeza é só algo para me distrair. Não, algo nela é suspeito! Ela estava com uma ferramenta para remover o corpo. É isso, agora tudo faz sentido!
— Não dê mais um passo! — gritei impedindo que ela tocasse no falecido. Ela prontamente parou.
— O que foi Lira?
Nossa! como ela sabia meu nome? Não, não vou deixar que isso me abale! Além do mais, depois daquela atitude tudo se esclareceu em minha mente.
— Você já ouviu falar de Sherlock Holmes minha cara?
— Sim, é claro. Acho que todos já ouviram.
— Então deve saber que o criminoso sempre volta à cena do crime.
— Do que está falando? Eu realmente não entendo!
— Não se faça de tonta, eu já sei de tudo!
— De tudo o que?! Você realmente está me irritando.
— Me deixe explicar melhor para que entenda o que me fez chegar a essa conclusão. Eu sugiro que se sente. — Sem resistência; o que é estranho; ela sentou na cadeira que estava fora da mesa de tabula redonda — Bom. Primeiro percebi que o corpo tinha sido esmagado por alguma coisa, no inicio não tinha sentido, pois não pensei em nada que pudesse provocar tal estrago. Foi então que eu vi esta vassoura ao lado do morto, e pensei: por que não? Até aí só tinha encontrado a arma do crime. E foi olhando por onde eu tinha entrado que resolvi o resto do mistério.
“Você não está usando um lado da sandália, e aquela tem o mesmo tamanho e cor desta que você usa agora. O que me diz que o criminoso não é ninguém menos que você!”
— Bom, eu...
— Espere! Ainda não acabei! — ela me olhou mais irritada ainda — O motivo foi bem simples. Essa cadeira que você está sentada me diz tudo. Então, recapitulando, você estava aqui no seu quarto fazendo alguma coisa, quando a viu. Não pensou duas vezes e subiu na cadeira, o que não bastou. Na verdade você queria acabar com aquilo de uma vez. Tentou arremessar a sandália, mas sua pontaria falhou. Nesse ínterim você avistou uma vassoura encostada na parede; perto o bastante para que você pegasse sem precisar descer da cadeira; pegou-a e, sem dó, acertou várias vassouradas na pobre aranha. Ou seja, você a matou com uma vassoura porque tem fobia de aranhas. Bem... O que tem a dizer agora que seu segredo foi revelado?
— Que assim que você chegou, eu te contei tudo isso. — disse ela olhando – me com desdém.
— Sério?! Nem percebi.
— Não me diga que você estava no “modo Holmes” de novo! — disse colhendo a aranha do chão, com uma pá, e jogando no lixo.
— hihi! Desculpe, tenho lido muito!
— Nunca mais te dou nem um livro dele.
— Ah, que isso Aila? Foi divertido! Mas voltando ao normal, o que nós vamos fazer mesmo.
— Tomar chá e pesquisar sobre nosso novo caso.
— O que? Temos outro caso? — digo desapontada.
— Sim! E dessa vez não é algo inútil!
— Mas estou exausta!
— Como assim? Resolveu um caso já resolvido e está exausta? Use sua inteligência para algo útil! — repreendeu-me.
— Ta bem.

Tomamos e conversamos a tarde toda. Em seguida saímos à rua.

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