Aquele quarto era
escuro, os vidros isolavam o som. Sim, com certeza um ótimo lugar para se
cometer um crime. Tentei primeiramente me prender ao corpo. Aquilo era uma
coisa totalmente horrível, as pernas estavam quebradas. O rosto estava
completamente amassado, assim como o resto do abdômen. O sangue estava por todo
chão. Não há duvida de que o assassino fez um trabalho rápido. Mas quem seria
capaz de tamanha brutalidade?! Matar assim tão brutalmente e rápido.
Não havia mais nada para se vê no
corpo, agora só o cenário diria o que restava ser decifrado. No fundo daquele
quarto, uma pequena mesa de tabula redonda ficava próximo à janela, todas as
cadeiras estavam em seu lugar, exceto uma. Ela estava virada para o corpo. Hm,
muito interessante. Alguém estava em cima da cadeira momentos antes... Talvez
pra consertar uma lâmpada, não vejo outro motivo! Espere. Por que há uma
vassoura ao lado do cadáver? — uma maneira de se defender? Ou quem sabe uma
maneira de matar?... Talvez, mas ambos são igualmente prováveis, então ainda
não posso chegar a uma conclusão. Um pouco mais longe do corpo, perto da porta
de entrada, havia uma banda de sandália, o que me diz que o criminoso tentou
correr, mas tropeçou, levando, assim, apenas um lado da sandália.
—... Então foi isso— disse uma
garota ao meu lado.
Não ouvi quase nada do que ela
disse. Mas não interessa, com certeza é só algo para me distrair. Não, algo
nela é suspeito! Ela estava com uma ferramenta para remover o corpo. É isso,
agora tudo faz sentido!
— Não dê mais um passo! — gritei
impedindo que ela tocasse no falecido. Ela prontamente parou.
— O que foi Lira?
Nossa! como ela sabia meu nome?
Não, não vou deixar que isso me abale! Além do mais, depois daquela atitude
tudo se esclareceu em minha mente.
— Você já ouviu falar de Sherlock
Holmes minha cara?
— Sim, é claro. Acho que todos já
ouviram.
— Então deve saber que o
criminoso sempre volta à cena do crime.
— Do que está falando? Eu
realmente não entendo!
— Não se faça de tonta, eu já sei
de tudo!
— De tudo o que?! Você realmente
está me irritando.
— Me deixe explicar melhor para
que entenda o que me fez chegar a essa conclusão. Eu sugiro que se sente. — Sem
resistência; o que é estranho; ela sentou na cadeira que estava fora da mesa de
tabula redonda — Bom. Primeiro percebi que o corpo tinha sido esmagado por
alguma coisa, no inicio não tinha sentido, pois não pensei em nada que pudesse
provocar tal estrago. Foi então que eu vi esta vassoura ao lado do morto, e
pensei: por que não? Até aí só tinha encontrado a arma do crime. E foi olhando
por onde eu tinha entrado que resolvi o resto do mistério.
“Você não está usando um lado da
sandália, e aquela tem o mesmo tamanho e cor desta que você usa agora. O que me
diz que o criminoso não é ninguém menos que você!”
— Bom, eu...
— Espere! Ainda não acabei! — ela
me olhou mais irritada ainda — O motivo foi bem simples. Essa cadeira que você
está sentada me diz tudo. Então, recapitulando, você estava aqui no seu quarto
fazendo alguma coisa, quando a viu. Não pensou duas vezes e subiu na cadeira, o
que não bastou. Na verdade você queria acabar com aquilo de uma vez. Tentou
arremessar a sandália, mas sua pontaria falhou. Nesse ínterim você avistou uma
vassoura encostada na parede; perto o bastante para que você pegasse sem
precisar descer da cadeira; pegou-a e, sem dó, acertou várias vassouradas na
pobre aranha. Ou seja, você a matou com uma vassoura porque tem fobia de
aranhas. Bem... O que tem a dizer agora que seu segredo foi revelado?
— Que assim que você chegou, eu
te contei tudo isso. — disse ela olhando – me com desdém.
— Sério?! Nem percebi.
— Não me diga que você estava no
“modo Holmes” de novo! — disse colhendo a aranha do chão, com uma pá, e jogando
no lixo.
— hihi! Desculpe, tenho lido
muito!
— Nunca mais te dou nem um livro
dele.
— Ah, que isso Aila? Foi
divertido! Mas voltando ao normal, o que nós vamos fazer mesmo.
— Tomar chá e pesquisar sobre
nosso novo caso.
— O que? Temos outro caso? — digo
desapontada.
— Sim! E dessa vez não é algo
inútil!
— Mas estou exausta!
— Como assim? Resolveu um caso já
resolvido e está exausta? Use sua inteligência para algo útil! — repreendeu-me.
— Ta bem.
Tomamos e conversamos a tarde
toda. Em seguida saímos à rua.
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