sábado, 18 de dezembro de 2010

Não foi com anjos!

Baseado em um sonho que eu tive decidi fazer um conto.
Deitada na minha cama eu estava pensativa em coisas do dia-a-dia. Nesse dia havia dormido de peito para cima. Adormeci a sonhei algo estranho do qual não me recordo muito. Só sei que estava caindo e caindo, mas assim como a queda, meu desespero não tinha fim. O vento batia em meu rosto, até que fiquei em êxtase. E no fim da queda, quando vi que estava chegando meu fim, fechei meus olhos e a ultima imagem que eu vi foi de uma garota. A qual minha própria mente criou, pelo menos é o que eu acho.
Ela era branca, pálida mesmo, como se estivesse morta. Tinha longos cabelos negros. Era uma garota comum, e aparentemente tinha pouco mais de catorze anos. A única coisa que ela tinha que não era comum era que a cor da Iris dos olhos dela era violeta. E mesmo sorrindo como fez quando a imagem dela me veio à cabeça, o olhar dela era vidrado, e assustador. É estranho imaginar uma pessoa tão bonita, e tão assustadora ao mesmo tempo.
Acordei-me assustada. Bem ofegante. E algo estranho me aconteceu. Meu corpo estava leve e eu via meio embaçado, não tanto, mas via. Eu sei, tenho problema de vista. Mas não, não era bem um embaçado, era mais um distorcido. Algo estranho que acho que alguém só vê quando está drogado, não sei, pois nunca me droguei (nem quero).
Queria me virar para a esquerda, mas estava com muita preguiça. Mesmo assim, depois de muita luta, finalmente consegui. Mas algo estava me intrigando. Como durmo sozinha em uma grande cama de solteiro, achei que atrás de mim, no caso na parte em que a cama fica vácua, tinha alguma coisa. Logo me veio à cabeça a garota de olhos violeta. Mas dessa vez, na minha mente, ela não estava sorrindo e sim com uma expressão séria. Estava atônita e ao mesmo tempo com medo de virar e dar de cara com aquele estranho olhar vidrado. Já tremendo senti uma respiração atrás de mim, e um gemido fraco como se fosse uma pessoa prendendo uma gargalhada, a qual não seria uma gargalhada de satisfação, e sim uma gargalhada sádica.
Mesmo aterrorizada, me virei rapidamente com o braço esticado, dando uma tapa no vácuo da cama. E adivinhe, não havia nada lá. Nessa mesma hora, senti uma vontade doida de chorar, pois algo tomou conta de mim, uma depressão profunda. Algo que quase me consumiu. Decidi fechar os olhos, e cantar uma música chamada “Lilium” para me acalmar. Isso mesmo a música da abertura de “Elfen lied” (desenho japonês) me acalma bastante.
Enfim decidi dormir naquela posição mesmo. Virada para direita. E antes de dormir conferi várias vezes para ver se a garota de olhos vidrados não estava lá ainda.
O mais estranho foi quando acordei de manhã. Eu estava exatamente na mesma posição em que havia adormecido da primeira vez. Tenho certeza que foi exatamente essa, porque meu pé estava um pouco para fora da cama quando adormeci antes de sonhar que estava caindo. E quando acordei de manhã ele estava exatamente nessa posição.
É por isso que eu me pergunto, se aquele tempo todo que achei que estava acordada, eu estava na verdade dormindo. Se esse for o caso, minha mente fez algo muito bem feito, ao ponto de parecer muito real. Até o ventilador fazia um barulho que ele normalmente faz. Além do fato de eu lembrar tão bem desses acontecimentos, o que normalmente não acontece quando sonho.
Desde esse dia eu nunca deixo o outro lado da cama vazio, boto sempre meu violão do lado, pois tenho medo da garota de olhar vidrado.

Espero que ninguém tenha essa experiência após ler esse texto.

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