domingo, 15 de novembro de 2009

O causo de Batista, o escritor

Você acredita em amor? Claro que sim, você é uma pessoa normal, que tem preocupações, tem um objectivo, você acredita que a humanidade tem concerto, que algo pode mudar, que essa situação não pode piorar, só melhorar, que por pior que seja a imagem horrenda que veja, o amor muda tudo. Ele, para você, é o grande causador de boas novas. A obsessão que as pessoas tem umas pelas outras é o aparente querer bem do outro é a grande solução para todas a magoas que atingem esse mundo. Mas a verdade é que as pessoas não pensam nas outras, são egoístas, só querem aquela pessoa bem porque isso lhe fará bem. A verdade é que o causador de todas as desgraças, porque quando as pessoas não têm amor querem poder, de qualquer forma. As pessoas não sabem amar, e quando esse sentimento não consumado ele torna-se outros sentimentos desgraçados que fazem mal. Levando em consideração esse argumento, vou lhe provar isso usando o pequeno causo de um escritor.
Batista de Monteiro Vás, um jovem escritor que desfruta de seu poucos vinte e oito anos. Sua condição econômica estável. Tem um apartamento no centro da cidade, é bem confortável, é espaçoso, é mobilhado com uma mobilha nova e bem escolhido, simples, mas elegante, sem muitos exageros. Batista mora com sua esposa, e atual melhor amiga, Andressa. Como conheceram-se? Na faculdade mesmo, nos encontros casuais da vida.
Ele andava pelos corredores do campus conversando com os amigos, avistou a vindo em sua direção de longe, mas como não era um menina de muitos aspectos físicos extravagantes, não prestou muita atenção, a não ser quando sem querer ele esbarrou nela. As coisas que ela carregava nos braços caíram, ele como cavalheiro prestou-se ajudar. Conversaram um pouco depois de se apresentarem, mas não muito, os amigos ficavam implicando para que fossem logo para as aulas. Não foi amor a primeira vista, mas foi um encontro desencontrado, e mesmo na primeira conversa os dois agradaram-se da presença um do outro. Desde então sempre se falavam, até chegar o momento que estar perto do outro era algo inevitável, e falar do não querer aquele outro ser era como blasfemar contra a própria natureza da morte. Os dois casaram-se depois de três anos, um pouco depois de batista se formar em direito.
Mas batista quis bem mais que simplesmente ficar tratado em escritório de advocacia, que era o que faria caso aceitasse o ótimo emprego que tinha lhe oferecido depois de três anos de estágio. Seus desejos eram bem maiores, seus desejos era querer expressar seus sentimentos e suas lamurias e fazer com que os outros acreditassem em amores eternos e puros, mesmo quando devassos. Por isso, no meio da faculdade ele decidiu que iria ser escritor, e um ano depois lançava seu primeiro livro, um romance que vendo como nenhum outro, porque envolvia questões metafísicas e misticismos, não que ele acreditasse em demônios, fantasmas, vampiros, e muito mais.
Na verdade, as personagens, sejam homens ou mulheres, eram uma clara, ou talvez pra os poucos sensíveis de alma, obscura forma de representar seus romances exauridos de confusão e mistério, tento ele sempre sido o causador das separações, sejam por qual motivo for. Eram, na verdade, na maioria das vezes motivos idiotas, que não faziam sentido algum. Coisas como “eu não gosto mais de você, eu gosto dele, não sei porquê”, mas o motivo estava ali, na sua cara, estacionado perto da calçada com um ronco desgraçado que matava o ouvidos. Mas afinal, pensava batista, o que faz alguém se render as vontades capitalistas e os desejos que só existem na mente humana. Por isso, a vida de Batista sempre foi cheia de desilusões amorosas, mas ele nunca quis ver a verdade sobre aquelas que o deixava ali no relento.
Talvez fosse na infância desse desgraçado individuo. Sua mãe era uma mulher muito vagabunda, ela mal cuidava dele, mal se interessava sobre as suas questões, nem mesmo explicou sobre as complicações da terrível adolescência. A razão? Ela praticamente odiava o garoto, cuidava dele por insistência dos familiares, mas caso não tivesse a interferência desses, já teria mandado-o para algum orfanato, o que talvez fosse algum d bom para a vida do garoto, talvez ele tivesse sido adotado por um casal que cuidasse dele com mais vigor, com mais animo.
O desprezo corroia o coração calado do garoto, mas seu sofrimento logo pararia com a chegada de uma prima de segundo grau distante que veio morar com ele e mãe por simples necessidade de ter onde ficar. Ela, aparentemente, não se diferenciava muito da imprudente mãe, era beberrona, era lasciva e muitas vezes desleixada, a não ser com o pequeno Batista. Nos pequenos atos, como pentear seu cabelo, dizer um bom dia, incentivar na escola, e muitos outros pormenores que sua mãe não dava.
Você deve estar pensando com que os três sobreviviam, era por causa do pai da garota mãe de Batista que mandava uma pensão bem gorda todo o final de mês, e ela fingia ser secretária em um escritório de engenharia. E prima, que veio um tanto de longe, colaborava com algumas poucas despesas, como comida, mas a verdade era que a maioria do dinheiro das duas ia pra a curtição e babás que cuidassem de Batista.
Apesar da estranheza, tudo ia bem, Batista era um aluno na media, não se metia em confusão, tinha amigos como todo mundo, via nas mulheres uma imagem, não de sua mãe, mas da prima que o dava poucos carinhos. Mas chegou o dia em que tudo isso acabaria, que toda aquela insana felicidade chegaria ao fim. Foi no dia em que sua prima de segundo grau havia morrido em um acidente de carro. Todos ficaram muito comovidos, menos Batista, que só ficou infeliz não mais poder receber carinhos de sua parenta. Desde então, ela não mais se preocupou dos carinhos de seus familiares, só com os das mulheres que arranjava pelas ruas. Não parecia ter mudado nada nele, e não mudou mesmo.
Talvez fosse por causa dessa mulher que havia morrido que batista nunca deixou de acreditar que no fundo da alma das mulheres, ou melhor, da humanidade havia um pingo de esperança que não nos deixava sermos levados pelo egoísmo total, e, em fim, a morte.
Mas certa noite, depois de muito tempo, Batista estava em uma feira de autores românticos contemporâneos, e Batista era considerado um autor que, apesar de seu estilo um pouco melodramático e idealizado de amor, era bem realista a acabou com todos os clichês românticos e com enredos previsíveis. Foi nesse evento que Batista descobriu a verdadeira natureza humana, sua mediocridade e que ele mesmo era o grande responsável pela degradação de uma sociedade que mata as pessoas por simples descontrole e prazer egoísta.
Durante toda a feira, que era em uma cidade pequena, porém que era considerada ponto de encontro para autores do gênero, Batista conversou com muitos outros autores, e após compararem suas obras Batista viu que era realmente bom, que superava os ali presentes. A legião de fãs do autor era extensa, muitas mulheres, muitos homens, e muito mais.
Teve um momento um tanto empolgante para o escritor, foi quando um foi encena, por um grupo de teatro da cidade, uma parte de seu último livro, um momento que o personagem principal se declara para a amiga da sua pseudo-namorada. Batista sentiu-se emocionado com a encenação, viu que o grupo era bom e gozou do momento.
Houve o grande momento em que Batista, junto com outros autores, iria ler em publico uma parte de seus novos livro, só para depois dar uma sessão de autógrafos. Foi nessa sessão que Batista encontrou com uma de suas fãs mais pitorescas. Era do estilo gótico, sem tirar nem por, usava preto e tinha lindos olhos caídos de tristeza. Ela chegou dizendo que era uma grande fã do autor e depois surpreendeu-o dizendo que ele havia roubado suas idéias e ela queria falar com ele após o evento no porto da cidade.
Eram duas horas da manhã daquela mesma noite. Batista estava à caminho de ir encontrar a sua dita fã com ele no cãs. No carro ele pensava que o que dizia era um absurdo, geralmente ele era honesto consigo e sabia que nunca havia roubado idéia alguma. Por um momento ele temesse que fosse algum tipo de armadilha para seqüestrá-lo e pedir um resgate para sua mulher que estava bem longe dali. Por isso, quando chegou no porto, discretamente, estacionou o carro e caminhou envolta dali, movendo-se na escuridão. Tentou pensar em todas as maneiras que algum vagabundo desgraçado pudesse chegar por detrás dele e abordá-lo e fosse bem sucedido em uma imunização. Viu que havia várias possibilidades, mais elaborada seria a de que o individuo saísse debaixo da passarela de madeira que dava para mais adentro na praia, onde se encontrava a garota, vinde de uma porta que era a provável entrada e saída de trabalhadores quando faziam a manutenção da construção.
Por isso, Batista viu que realmente era seguro chegar perto dela, qualquer outra possibilidade seria idiotice para tentar chegar a detê-lo. O homem chegou perto dela aos poucos, ela estava com um olhar melancólico perdida na escuridão da praia, pouco deu atenção de ver aquele homem ali. Ela falou para ele, com uma voz calam e serena, as mesmas palavras que havia dito na feira, ele, logicamente, retrucou:
— Por que acha que eu roubei a sua idéia?
— Você sonhou esse sonho.
— Que sonho?
— A dramática narrativa de um homem que descobre que o mundo não presta e que a tão valorizada mente das pessoas é um simples transporte de substancias, que podem para a qualquer momento. Descobre que, na verdade, pessoas como as que te amam são um estorvo na terra. Depois de descobrir tudo isso, começa a matar.
— Eu nunca escrevi algo do tipo.
— Mas vai escrever.
— Como pode ter certeza.
— É seu destino.
— Eu não acredito em destino, também não, mas eles sim.
Ela, de repente aponta para trás dele, ele olha e não vês nada e quando vai olhar de novo para ela descobre que ela já não estava mais lá. Ele se sente confuso, corre sem saber para onde vai, tropeça. Caí no chão e se levanta rapidamente quando vê o que tropeçou foi um cadáver já em decomposição. Os vermes entraram e saiam de sua face deformada e de suas entranhas saem os odores mais horrendos que a própria imagem daquele ser.
continua...

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